quinta-feira, 15 de março de 2018

FALANDO PORTUGUÊS NA RÚSSIA, por Adelto Gonçalves.

https://www.mundolusiada.com.br/cultura/falando-portugues-na-russia-centro-lusofono-difunde-o-idioma-em-sao-petersburgo

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Dia 29 de Março de 2018, a partir das 16h, na Vila Mariana, em São Paulo






O jornalista Cláudio Amaral está lançando o segundo livro: Por quê? Crônicas de um questionador

Nele o autor conta algumas passagens interessantes que vivenciou ao longo de sua carreira iniciada em 1968. 

Nesses mais de 50 anos de profissão, Cláudio Amaral fez um pouco de tudo, de correspondente em Adamantina (SP), a repórter esportivo e policial a editor-chefe de redações. E acompanhou pessoalmente o desenrolar dos acontecimentos políticos desde a publicação do AI-5 até os dias de hoje. 

Em suas 100 crônicas reunidas neste novo livro, Cláudio Amaral cita alguns nomes da imprensa com quem conviveu, como, por exemplo, o fotógrafo Paulo César Bravos, morto em 2008.

O lançamento deste que é o segundo livro de Cláudio Amaral acontecerá dia 19 de março, das 16h às 20h, na Rua Dr. José de Queirós Aranha, 451 - Vila Mariana – SP, proximidades do Metrô Ana Rosa.

Serviço:

1) Contatos com o autor poderão ser feito pelo telefone (+11) 99995-7621 ou pelo e-mail clamaral@uol.com.br.

2) Mais informações estão na página do evento em 
https://www.facebook.com/events/587700851574492/?notif_t=plan_user_joined&notif_id=1519123970717764


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O QUE NÓS TEMOS A VER COM OS JORNALISTAS?


Essa mensagem é dirigida a vocês todos que nesta sexta-feira (09/02/2018) foram convidados por mim a curtir a página que dirijo Aos Estudantes de Jornalismo.

Por quê? Porque penso que todos nós – Jornalistas ou não – temos algo a ver com essa profissão maravilhosa que escolhi como minha nos anos 1960. Profissão que abracei exatamente no dia 1º de maio de 1968. Foi naquela data, na minha pequena e querida Adamantina, no Interior de São Paulo, que fiz a primeira reportagem como futuro profissional do Jornalismo.

Hoje, passados 50 anos, me sinto motivado a perguntar a todos vocês: quais as lembranças que lhes veem à mente quando és convidado a ter contato com uma página como essa?
1) Se você é Jornalista, como eu, as lembranças são, por exemplo, as vivências que tivestes no dia a dia da nossa profissão. Seja como foca (aprendia de Jornalista), como repórter, como correspondente local, como editor...
2) Se você atua numa outra profissão, seja qual for, até porque todas são dignas e merecem nosso respeito, certamente tens algo a nos contar. O primeiro contato com um Jornalista, por exemplo. Como foi? Quem provocou esse primeiro contato: você ou ele, o Jornalista? Qual o meio utilizado: telefone, correio eletrônico, Skype, mídia social? E como e por que isso aconteceu: o Jornalista queria simplesmente uma informação sua ou desejava fazer uma entrevista?

IMPORTANTE: o q’eu desejo que vocês me relatem, por escrito, e da forma que quiseres, é as suas experiências; sempre pensando naquilo que elas poderão ser úteis Aos Estudantes de Jornalismo.

POR QUÊ?
Porque um Advogado Amigo me contou, certa vez, que se sentiu nervoso quando um Jornalista de O Estado de S. Paulo, onde trabalhei nos anos 1960 e 1970, ligou pra ele e perguntou: o que você tem a dizer a respeito da Operação Lava Jato?
2)      Porque um Médico, especializado em neurocirurgia, me contou, momentos antes de me operar, que havia recebido uma mensagem, via correio eletrônico, indagando: como você vai extrair o tumor que encontrou na cabeça deste seu paciente?
3)      Porque um Cirurgião Dentista do meu círculo de amizade me disse, numa das muitas vezes que sentei na cadeira do consultório dele, que um repórter de televisão ligou a ele via Skype e disparou, sem rodeios: você é contra ou a favor dos implantes dentários?
4)      Porque um motorista de taxi que me presta serviços me disse outro dia, enquanto levava a mim e a minha esposa ao GruAirPort, em Guarulhos (SP), que um repórter de rádio apareceu no ponto dele, na Aclimação, e perguntou: como está o movimento de passageiros e qual tem sido as consequências dos constantes preços dos combustíveis para os taxistas?

Por tudo isso, e muito mais, tenho certeza de que todos nós temos boas histórias para contar Aos Estudantes de Jornalismo, ou seja, a aqueles universitários que logo mais estarão buscando postos de trabalho em jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão, agências de notícias e assessorias de imprensa.


Sou grato a todos vocês que se dispuserem a contar suas experiências Aos Estudantes de Jornalismo.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Por quê? CRÔNICAS DE UM QUESTIONADOR e Um lenço, um folheto e a roupa do corpo, os dois livros de autoria de Cláudio Amaral, têm condições especiais para os quem curte e acompanha o blogue Aos Estudantes de Jornalismo





Por quê? CRÔNICAS DE UM QUESTIONADOR é o segundo livro do Jornalista e Biógrafo Cláudio Amaral, que já trabalhou em jornais como O Estado de S. Paulo, Grupo Folha de S. Paulo (UOL + Agência Folha), Correio Brasiliense e Jornal do Brasil. O primeiro foi o romance Um lenço, um folheto e a roupa do corpo, publicado em 2016.

Essa segunda obra de Cláudio Amaral reúne as 100 primeiras crônicas de um total de quase 400 escritas pelo autor desde 2007. Todas retratam o dia da Capital paulista, do Estado de São Paulo e do Brasil. E homenageiam algumas pessoas conhecidas e outras nem tanto. Entre elas está Paulo César Bravos. Ele foi Repórter Fotográfico de profissão, mas também autor de sambas enredo para diversos carnavais paulistanos e, mais que isso, foi ciclista amador e pedalou muito pelas nossas perigosas vias públicas. Tanto que acabou sofrendo um acidente na noite de 7/11/2007 e veio a falecer no dia 6/1/2008, no Hospital Paulistano, no bairro paulistano do Paraíso.

Além de Paulo César Bravos – que é figura principal de pelo menos seis crônicas escritas por Cláudio Amaral e incluídas em Por quê? CRÔNICAS DE UM QUESTIONADOR – o livro contém “crônicas que revelam o olhar do autor, descritas com perfeição e detalhamento até excessivo na apresentação da obra”, segundo a analista de literatura e editora Laura Bacellar. Segundo ela, “o texto é muito agradável e fácil de ler”. E mais: “Sob o aspecto formal, o léxico utilizado é bom, simples e direto, o que confere elegância e fluência ao texto”. 

Por isso, Laura Bacellar entende que “quem começa tem curiosidade em passar para a próxima crônica, e os assuntos são sempre acessíveis, apresentados pelo viés assumidamente pessoal do autor”. Laura arremata assim a análise a respeito de Por quê? CRÔNICAS DE UM QUESTIONADOR: “Em algumas crônicas, as situações prosaicas do cotidiano provocam empatia, em outras, assuntos universais, como a incomunicabilidade, a falta de polidez e afeto nas relações sociais, convidam a alguma reflexão”.

Serviços

Por quê? CRÔNICAS DE UM QUESTIONADOR tem miolo com 264 páginas, orelhas e capas coloridas. Cada exemplar custa R$ 38,00 e o pagamento pode ser via 341 Banco Itaú Unibanco S.A.. O livro foi produzido pela SGuerra Design (São Paulo, 2017) e impresso na Meta Impressão e Soluções Digitais (Cotia, SP). A comercialização é feita diretamente pelo autor e os pedidos podem ser feitos pelo telefone (+11) 9 9995-7621 ou pelo correio eletrônico clamaral@uol.com.br. A retirada, a combinar com o próprio autor, pode ser pessoalmente. A remessa, se necessária, será feita pelos Correios, mediante uma tarifa de R$ 12,00, com código de rastreio, que garante o recebimento pelo adquirente.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Aos Chefes, com carinho


Mario Rocha, especial para o blogue Aos Estudantes de Jornalismo (*)

Sempre ouvi que experiencia se vive, não se ensina. Mas nada mais útil do que receber um mapa do caminho já percorrido por outros.

Vou aproveitar esse espaço para tentar passar, aos novos jornalistas, experiencias que aprendi com chefes, pessoas que já trilharam o caminho e fizeram algumas marcações.

"O importante é conhecer gente".

Um dos meus primeiros chefes me disse isso. Acreditei, mas não levei MUITA fé. Jovem, impetuoso, acreditava que meu currículo e meu conhecimento seriam suficientes.

Ledo engano. Currículo, boa formação, ética profissional e constante aprimoramento são fundamentais.

Mas o importante é conhecer gente. Não da maneira escrota, conseguir vaga através do famoso QI, quem indica.

Mas para quem contrata, saber o histórico da pessoa é muito importante, principalmente num meio como o nosso, onde não lidamos exatamente com questões exatas. É muito difícil ter ideia se um jornalista é bom ou ruim apenas pelo currículo. Só se conhece no dia a dia.

Todo emprego que consegui na área foi através de conhecer gente. Claro, meu currículo importava.

Mas no nosso meio a entrevista de emprego raramente é apenas com o contratado. Quem contrata também entrevista ex-colegas do candidato.

Comecei a estagiar na TV Manchete porque meu professor de faculdade era editor executivo do Jornal da Manchete. Eu mostrei "trabalho" durante a faculdade e fui recompensado com um trabalho. 

Na Manchete, mostrei trabalho, corri atrás. E uma colega que também trabalhava na então TVE me indicou para uma vaga lá. 

Quando soube que tinha uma vaga com meu perfil na Globo, me candidatei e dei como referência alguns ex-colegas de TV Manchete. A pessoa que me entrevistou também ligou para eles.

O que importa é conhecer gente.

Fiz contato profissional e depois uma amizade com o então ancora e editor-chefe do Jornal da Cultura, Celso Zucatelli. Quando a TV Record transferiu ele para Nova York, 7 anos depois, ele me indicou para ser o produtor da emissora na cidade. Porque me conhecia. Conhecia meu trabalho.
Mesmo aqui, nos EUA, o que importa é conhecer gente.

Eu saí da Record e comecei a mandar currículos para emissoras americanas.

Fui chamado para algumas entrevistas, mas, para eles, eu era um coringa. Alguém sem
histórico profissional por não conhecer muita gente por aqui.

Em 2013, eu passei 3 semanas na CNN, em Atlanta, e fiz algumas amizades. A Record é afiliada da CNN e continuamos a trabalhar juntos. Coloquei o nome do funcionário da CNN com quem mais eu lidava, pessoalmente e profissionalmente, no meu currículo.

Dei sorte. Para uma das vagas a que me candidatei, o chefe tinha trabalhado 10 anos na CNN e conhecia o Paul, a minha referência. Ele ligou para o Paul, que falou muito bem de mim.

Consegui a vaga.

Se o nome do Paul não estivesse no meu currículo, talvez não tivesse sido contratado.

No nosso meio, o que importa é conhecer gente.

(*) Mario Rocha é Jornalista formado em 1998 pela PUC-Rio. Desde 2008 está a trabalhar nos EUA, onde passou pela TV Record e a partir de 2017 trabalha em Washington DC como produtor na CGTN (China Global Television Network)


domingo, 3 de setembro de 2017

Plus ça change plus c’est la même chose (*)



Jotabê Medeiros (**) 


No jornalismo, a coisa ganhou certos contornos de sadismo, todo mundo do ramo que a gente encontra imediatamente pergunta: "Atualmente, você tá fazendo o quê?".

Eu? Lavando a roupa de manhã e cozinhando feijão ao meio-dia. Descendo a rua de bicicleta com os filhos e mastigando grãos de café vermelhos no cafeeiro do vizinho.

Fora isso, a atividade periférica é a de sempre: escavar umas histórias para pagar o aluguel. Nada mudou, embora tudo tenha mudado. Como dizia outro João Batista jornalista, o Karr: quanto mais muda, mais é a mesma coisa. A diferença é que parece haver menos concorrência, ninguém mais quer saber de escarafunchar as coisas a fundo.

Antigamente, dizia-se que as notícias de hoje embrulhariam o peixe de amanhã. Era uma metáfora do envelhecimento veloz da informação, que vinha na forma de jornal impresso e só teria utilidade, no futuro próximo, para o feirante embrulhar o peixe e entregar ao cliente.

Invertemos o ditado: agora, as notícias embrulham o peixe de ontem. Sempre o mesmo peixe. Daí porque elas já nos chegam com um certo cheiro de putrefação. Empapuçados de notícias, como numa churrascaria rodízio, poucos notam o sabor ou a urgência das coisas.

Acho que se há uma coisa triste pra gente que tá envelhecendo no ramo do jornalismo relacionado à música é o fato de testemunharmos artistas da música envelhecendo também, muitos precariamente.

Óbvio que é recíproco. Os artistas têm presenciado o desaparecimento de dezenas de cronistas, críticos de música e detratores profissionais nos últimos anos. Fome ou peste ou cansaço, motivos diversos. A saudosa maloca perdeu saudosos malucos, como Celso Pucci e Jean Yves de Neufville.

No tempo dos grandes jornais, creio que a primeira impressão que a gente passava é que acontecia muita coisa na vida da gente. Impressão falsa. Em geral, passávamos a maior parte da vida na frente de um computador obsoleto. Quando não, estávamos correndo para materializar ideias e fatos que aconteceram muito longe da gente, e dos quais não tínhamos participado nem testemunhado.

Nossa vida era invejada e os visitantes nos olhavam com admiração, como se vivêssemos em um Olimpo. Mas, no geral, comíamos durante muito tempo em restaurantes de quilo ou em refeitórios precários, passávamos as tardes ouvindo de colegas piadas homofóbicas e racistas iguaizinhas às que se ouvem num táxi malufista (sem esboçar nenhuma reação) e alimentávamos a vaidade de termos sido lidos e discutidos por muita gente que não fazia a menor ideia do que fazíamos ou de como fazíamos ou do por que fazíamos.

O que guardamos de um período muito grande trabalhando na grande imprensa é aquilo que nos modificou e nos permitiu aprender uns macetes de defesa pessoal para usar vida afora. Muitas vezes, o trabalho na grande imprensa foi uma espécie de truque para a gente poder aprender algo sobre o mundo, além, é claro, de sustentar os ossos e o estômago. É meu caso. Há uns dois anos, foi noticiado que um músico de hip-hop norte-americano, na impossibilidade de comprar um computador adequado para gravar seu novo álbum, foi até um showroom da Apple e produziu tudo nos computadores de amostragem da loja. Enxergo minha trajetória pelas grandes redações como a ampliação desse truque: usei da megaestrutura dos veículos (mastodôntica, a certa altura) para fazer meu disco autoral, porque de outra forma teria sido impossível.

Nas palestras, me perguntam muito sobre como se pode viver numa grande redação. Penso que o manual de sobrevivência em uma redação precisa ser aprimorado, porque já não há mais a grande redação. Há grandes vazios demográficos, precisa saber ocupar bem o espaço. Não posso colaborar muito agora com dicas. Mas algumas regras são eternas, e quase todas beiram a impossibilidade. 

Manter distanciamento e independência é a principal delas. É famoso o caso da orelha de um livro que teve de ser cortada às pressas porque o texto ali era do diretor de Redação que tinha acabado de assassinar a ex-namorada. Foi um caso ruidoso. O assassinato chegara antes da noite de autógrafos, foi preciso fazer uma imensa cirurgia plástica e retirar milhares de orelhas.

É preciso desviar do cinismo com habilidade. Uma vez, um outro chefe de Redação convocou todas as áreas relacionadas à cobertura cultural para uma reunião. Ele queria na verdade fazer uma espécie de confissão cristã e esperar perdão coletivo: enfrentava o que qualificou de “o pior momento de sua carreira” (havia demitido uma colunista por delito de opinião e isso vazou para o resto do mundo). Se ninguém tivesse notado, ele teria feito o corte sem drama, sua carreira estaria imaculada. Apesar de seu arrependimento, ele ordenou uma devassa nos computadores da empresa para saber quem havia vazado a história. Outro dia eu o vi enrolando umas moças num café, parecia estar discorrendo sobre novos modelos de negócio – alguém certamente vai na dele de novo.

Nunca perco tempo com os apocalípticos ou os novos profetas da internet. A chegada da internet às redações é mais antiga do que todo mundo pensa. Em 2001, há exatos 16 anos, já se dirigiam todas as baterias para a internet, os portais bombavam em direção a um admirável mundo novo. Eu lembro perfeitamente do Rock in Rio de 2001, que foi uma loucura, a sala de imprensa parecia o Titanic de tão grande, tantos eram os jornalistas novos. Os primeiros dez anos da experiência do jornalismo na internet foram tão histéricos quanto inúteis, nada se aprendeu, nada se guardou – conheço veículo que deletou completamente o que foi produzido exclusivamente para aquele período quando adotou um novo hardware para sua redação.

Assisti a dezenas de palestras e sermões e discursos de chefes voluntariosos sobre a necessidade de se adaptar ao novo mundo, às novas tecnologias, para sobreviver. Mas, cada vez que há um modelo novo, ele já nasce velho, porque é gestado em cabeças velhas, obcecadas primeiro em convencer os anunciantes de que ainda estão no jogo – antes mesmo de afirmar a necessidade das coisas. Uma vez, o jornal no qual trabalhei descobriu que seus cartunistas eram dos anos 1950. Tentou modernizar. Fui chamado por uma editora executiva que me pediu alguns nomes. Eu pensei: é hora de ir ao topo, de chamar o que há de melhor no desenho atualmente. Chamei Lourenço Mutarelli e Marcello Quintanilha, dois expoentes das artes gráficas. Eles não duraram seis meses: o conselho editorial os considerou corpos estranhos no jornal, e (crueldade) pediu para que eu informasse a eles que seu trabalho não teria continuidade.

Rupturas e descontinuidade são marcas do jornalismo que se esgota agora, o impresso. Mas tente achar alguém que se diga responsável por essas atitudes de marcha à ré; nunca vai achar ninguém. Estão levando alguma outra empresa para o buraco nesse momento.

Acossado pela busca do milhão de cliques, o jornalismo vive um momento de confusão. “Justin Bieber posta foto nu na praia” é o parâmetro da isca perfeita para o leitor mórbido. Não há como competir com esse tipo de coisa. E as estratégias para se alcançar isso são bizarras. Houve um caso recente, no Estado de S .Paulo, em que se cogitou colocar uma lâmpada giratória colorida sobre a mesa de editores-chefes, no centro da redação. Essa luz seria vermelha, e iria progressivamente ficando amarela e girando menos quanto mais escassos fossem os cliques de leitores nas reportagens e textos online. O mecanismo, do qual desistiram na última hora, possibilitaria aos chefes saírem pela redação admoestando repórteres e redatores para melhorarem seu desempenho, buscarem mais Justin Biebers pelados. Espero sinceramente que os encontrem.

Uma vez, durante um almoço no jornal, uma amiga me disse: “Você é muito cheio de princípios”. Eu disse: “Não é verdade, tenho apenas um: eu adoro o que faço. Todo o resto é decorrência disso”. 

Nada mudou.



(*) "Nada mudou, embora tudo tenha mudado", segundo tradução livre do título do texto publicado originalmente na edição 1.116 do semanário Jornalistas&Cia e que é aqui reproduzido com autorização do autor.

(**) Jotabê Medeiros (jota bemed@gmail.com) é Jornalista e atuou por mais de 20 anos como repórter de cultura do Estadão, além de ter passado, entre outros, por Veja São Paulo, Folha de S.Paulo e CNT/Gazeta. Foi também crítico na revista SomTrês. Titular do blog El pájaro que come piedra, prepara-se para lançar a biografia do cantor e compositor Belchior, recentemente falecido.

terça-feira, 21 de julho de 2015

SÉRGIO BARREIRA LEITÃO: DESCANSE EM PAZ, AMIGO.


Cláudio Amaral

Sinto-me profundamente triste. Mas, sinceramente, deveria estar era muito feliz. Triste porque perdi um grande Amigo. Um dos melhores Amigos que tive nestes meus 65, quase 66 anos de vida. Mas deveria estar feliz porque ele foi chamado para um descanso eterno.

Agora, mesmo que eu não queira, tenho que admitir que Deus deu o devido e merecido descanso a um dos maiores e mais bem sucedidos Jornalistas que conheci e que este Brasil já teve.

Sérgio Leitão, o cearense mais carioca que conheci, era uma pessoa inigualável. Um ser humano como poucos. Um pai aplicado, dedicado e amado por Leslie, Cassius e James.

Conheci Sérgio Leitão aqui em São Paulo. Precisamente, na sala de imprensa que montei no Esporte Clube Pinheiros por ocasião da Federation Cup no Brasil.

Ele foi o único a me pedir licença para instalação de um terminal de telex no local para ter plenas condições de produzir e transmitir, diariamente, durante duas semanas, as notícias e reportagens que fazia a respeito da chamada “Copa Davis das mulheres”.

Leitão trabalhava tanto, mas tanto, que eu dia, ingenuamente, disse a ele: Você é o único carioca que se dedica tanto ao trabalho. E ele me respondeu: Claudinho, eu não sou carioca. Sou cearense.

Além do Português, ele falava, lia e escrevia também em Espanhol e Inglês, ainda que trabalhando para um único canal noticioso: a Reuters, uma das maiores agências de notícias do mundo.

A partir daquele grande evento esportivo, realizado em meados de 1980, nossa amizade só cresceu. E nossos contatos foram cada vez mais frequentes, pessoalmente e por telefone.

Tanto que um dia, depois dele tanto insistir, mandei meus dois filhos, Mauro e Flávio, passar férias junto à família Leitão, no Rio de Janeiro.

Voltamos a nos encontrar no Rio de Janeiro por ocasião de uma das muitas competições de velocidade lá disputada. Inclusive num Grande Prêmio de Fórmula 1 em que, por indicação minha, ele foi contratado pela Marlboro para servir de intérprete numa conferência de imprensa.

Noutras ocasiões Sérgio Leitão me ajudou a atender a conta do Banerj como patrocinador da equipe brasileira que iria – como foi – aos Jogos Olímpicos. E eu o ajudei a divulgar as atividades profissionais de pelo menos três competidores brasileiros de atletismo de alto rendimento.

Certa vez fui chamado a trabalhar para uma editora de jornais dirigidos a estrangeiros que vinham passar curtos períodos no Brasil. Eram publicações em Inglês, Espanhol, Francês, Italiano, Alemão... E como Leitão me dissera que o sonho dele era morar e trabalhar em São Paulo, repassei a responsabilidade a ele. Feliz ou infelizmente, o negócio não deu certo e ele seguiu vivendo no Rio e a curtir as alegrias que só lá ele tinha: as praias e o Flamengo.

Filho de diplomata, Sérgio viveu no exterior quando jovem. E também depois de casado e pai dos três filhos que ele teve e criou com a mulher, Silvia. Fez da minha residência um porto seguro quando veio a São Paulo para entrevistas no consulado do Canadá, para onde a família se mudou em seguida.

Pouco nos vimos nos últimos anos, mas jamais perdemos o contato. Tanto que sofri muito quando tive notícia de um enorme temporal no Rio de Janeiro, nos anos 1990. Eu estava trabalhando no Tênis Clube de Santos e de lá liguei para ter notícias dele e da família. Soube, então, que ele estava ilhado na sede da Reuters, no centro da capital cariosa, fazendo uma das coisas que ele mais gostava: Jornalismo. Estava ilhado mas bem. Como espero que ele esteja agora, ou seja, desde a noite desta segunda-feira (20/7/2015), descansando junto a Deus, nosso Pai Eterno.

Por quê?

Ah... e você ainda pergunta por que, caro e-leitor?

(*) Cláudio Amaral clamaral@uol.com.br é jornalista desde 1º de maio de 1968, Mestre em Jornalismo para Editores pelo IICS/SP (Turma de 2003) e estudante de História na FMU/Liberdade/SP desde 1º. de fevereiro de 2013.


20/07/2015 23:22:45